sábado, 16 de abril de 2011

Tem Gente que engaiola até Pássaros Pintados



Conheço casos de esposas que não permitem que o marido vá jantar com uma colega de escritório. Sei de maridos que não permitem que a esposa vá ao cinema com um amigo. Sei de namorados que brigam por causa de um simples olhar para o lado. Vivem se vigiando mutuamente. Desconfiam um do outro até mesmo nessas bobas trivialidades quotidianas. Amputam-se. Renegam suas mútuas liberdades. E chamam isso de amor...

Tem gente que vai ao extremo de colocar a própria honra e a moral no vão das pernas do parceiro. Até o Código Civil diz que o homem "será desonrado" se alguém beijar a sua esposa. E se houver "conjunção carnal" então — aí se pode até matá-la "em defesa da honra", sem pena de prisão. Coisas tenebrosas, dignas da Idade Média, mas que remanescem até hoje em nossas Leis.


Amar alguém é uma delícia. Gostar da presença de uma determinada pessoa, também. Mas, supor que essa pessoa, a partir de um certo dia, só possa ter alegria, tesão e prazer exclusivamente ao meu lado — isto é patético! O que está por trás dessa suposição absurda é o desejo de controle. O ciumento tem um coração de ditador. Supor que se pode deter o controle das emoções do outro é lamentável, para dizer o mínimo. São idéias malucas de grandeza.

E essa história de "ciuminho pequenininho" é conversa pra boi dormir. Balela. É como se tivéssemos dois tipos de câncer: o pequenininho e o grandão. Bobagem. Como se um "cancerzinho pequenininho" também não precisasse ser tratado... É um sintoma que, de algum modo, está presente na esquizofrenia, nos transtornos demenciais, nos quadros depressivos e nos transtornos paranóides.


Ressalto que estou me referindo ao ciúme de seres amantes e não ao "ciúme de coisas amadas". Não me refiro ao ciúme (plenamente justificável!) que posso ter do meu carro, do meu ursinho de pelúcia, dos meus livros ou da minha escova de dentes. Estou apenas escrevendo (um breve texto: não é uma tese) sobre esse sentimento de posse do outro. Nesse sentido, ainda vou escrever algo sobre a personalidade deteriorada, a baixa auto-estima, os delírios, a verificação compulsiva das suposições, a invasão de privacidade, e a vocação autoritária. E também sobre o medo neurótico da perda.


O ciumento vive catando pedacinhos de "evidências" nas conversas do parceiro. Abre bolsas, vasculha gavetas. Bisbilhota ao telefone. O coração do ciumento vira um detetive. Toda hora em busca de falsas evidências. E o relacionamento vira uma inquisição torturante. Acontece que o ciumento —movido por emoções incontroláveis — não consegue fazer abstrações. Não consegue formular uma crítica racional do seu comportamento indelicado. Apenas repete, generalizando feito uma mula, que "quem ama tem ciúme". Ora, você nunca verá um filósofo ou um cientista apaixonado batendo na sua esposa por esta ter olhado para um outro homem gostoso. Mas um pedreiro sim. Uma lady nem liga se o marido chega tarde em casa; a barraqueira se descabela. Tudo é uma questão de inteligência. De finesse. De bom gosto. De cultura.

Deixem que me explique. Não me refiro à posição social de classe do ciumento. Há casos de jornalistas famosos que mataram a namorada por ciúmes. Há casos de promotores, empresários, banqueiros, e também de artistas. E quando eu disse "pedreiro", foi mais pela sonoridade da palavra no contexto do que pela profissão propriamente. Que me perdoem os pedreiros não-ciumentos.


O Ciumento sofre quatro vezes: por ser ciumento, por culpar terceiros por ser assim, por não temer que seu ciúme prejudique o outro, e por se deixar levar por uma banalidade;  sofre por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco — e por ser comum ( Na cabeça dele ). Mas isso é para pessoas normais e senssatas. Se fosse um inculto, simplesmente puxaria da peixeira...


O ciumento envereda basicamente por dois caminhos. Ou assume a culpa, podendo chegar à depressão muita das vezes o ser amado, ou sente raiva e prefere a violência emocional e física. Meu conselho, irônico porém sincero, é que procure ajuda terapêutica profissional — enquanto é tempo. Ou interne-se numa clínica,e dê espaço para a felicidade alheia - se preciso. O que não pode é ficar sem tratamento... kkkkkk!

Nenhum comentário:

Postar um comentário