segunda-feira, 16 de maio de 2011

A saudade que nunca sentiras de mim



Engraçado é sentir saudades de algo que nunca vivemos, é essa saudade de algo que desejo ter que me faz parar o tempo.

Talvez eu nunca sinta teu olhar mais profundo ou seu sorriso mais inebriante, mas os imagino na noite, é nela que me perco em espanto, à espera de uma saudade mais recente. Uma amostra dos dias em que tudo era simples e eu ainda não te amava.

Sei que não pensas em mim, mas o que seria do mundo sem sonhos, amores estonteantes e uma noite em busca da falsa realidade que são os sonhos. Na verdade sempre achei que sonho é a fuga do que nunca poderíamos ter no agora, e em troca, ele nos dá esperança que pode se desfazer rapidamente, como uma nuvem, sem deixar muitas marcas, só um vazio fraco e incolor. 

Ah se uma brisa me tocasse o rosto silenciosamente, não teria medo, pois a imaginaria como um beijo seu, pela saudade que nunca sentiras de mim...
Dia e noite se confundem, sonho e realidade se misturam, cores e rostos se entrelaçam, tenho dificuldades para distinguir.
As cores que você levou quando fora embora me arrancaram a lucidez, vejo cores irreais figurando paisagens nostálgicas, rostos desconhecidos me tentam roubar o olhar para fazer o momento voltar à lembrança. Tudo em vão...

Não sei por quanto tempo me restarão lembranças fantasiadas, até que seu rosto comece a refundir, que sua voz se ecoe e que seus olhos apaguem...

Até lá irei fingir, irei sorrir enquanto a dor me torturar, irei continuar enquanto o vazio me derrubar e irei te amar enquanto lembranças me restar...