quinta-feira, 23 de junho de 2011

Invisível como Nada



O homem não sabe o que vai ser da vida,
necessita de sonhos, ainda que negue,
de amor, mesmo que solitário,
da mulher ainda que morra mil vezes.
Os olhos são perfeitos quando dormem,
o tempo pára no meio do sonho bom,
não contamos os dias antes do beijo,
os abraços quando estamos agasalhados.
Quando o escuro vem, a tempestade cai,
o corpo rola do sonho bonito
como se caísse da beira de uma nuvem,
do céu que eu mesmo criei um dia.
É mal fazer plano, montá-los como criança,
a dor de amor não tem remédio, dói,
somente dói como nada, invisível como nada,
assim vai outro amor, como nada, outra verdade.
Às vezes tem festa dentro de mim,
mudo os sonhos, acho que os realizei todos,
então distribuo brindes, abraços,
devoro cada gosto como se fossem doces de vida.
Acordo de manhã, depois de um pesadelo ou dois,
inflo o peito, o ar acabou, não me vejo no espelho,
fui outra vez irresponsável pelo amor que dei,
troquei minha vida por um nada de felicidade.

O caminho não esta feio



O caminho é longo.
È preciso constituí-lo todos os dias.
O caminho é pedregoso.
É preciso desviar das pedras,
Quebrar as rochas e seguir avante,
Pois quando se busca o cume das montanhas
Não se dá importância às pedras do caminho.

O caminho não está feito.
É preciso construí-lo todos os dias.
Arrancando espinhos, derrubando barreiras.
O caminho às vezes, escurece.
É preciso estar prevenido,
Não deixando nunca a lâmpada sem azeite.
Estar pronto para tudo que acontece.

É preciso uma esperança profunda, sem limites.
A certeza de que, não estamos sós nesta jornada.
Mas somos um povo construindo a sua estrada.
Em busca de um mesmo ideal, e mesmo fim.
Tu que andas por este caminho,
Percorre-o até o fim.
Constrói este caminho, dia a dia
Caminhe sempre…

Não importa que haja quedas, é preciso confiar,
seguir avante, como peregrino, crescendo na fé e no amor.
Caminhando sempre com confiança, de mãos dadas,
 com coragem,crédito, em busca da plena comunhão,
 pois o amanhã terá tua fisionomia.

Saudade é Permanente


A gente tenta lidar, de uma forma ou de outra, com os percalços da caminhada e descobre sempre uma alternativa para driblar os inconvenientes que surgem, desacomodando a vida.

Uma decepção, um desencanto, uma perda, um dissabor ... Tudo isso e muito mais, o tempo consegue apagar, silenciar, dissipar. O passar das horas, o relógio da existência, tem um efeito balsâmico e reparador.

É medicamento eficaz que ajuda na convalescença de enfermidades várias. Porém, existe uma contra-indicação: - é inútil tentar usar o tempo para combater a saudade. Saudade é imune à ação do tempo. Aumenta a medida em que os dias passam e extrapola para além dos limites dos anos.

Existe saudade antiga e saudade nova. Saudade de muito e saudade de longe. Saudade de antes e saudade de sempre. E porque é viva, saudade é permanente, é constante, é fiel.

Saudade de cadeiras nas calçadas em fins de tarde ... saudade de fins de tarde com sol desmaiando nos braços da noite ... saudade da noite plena de estrelas, brilhando no campo negro do espaço ... saudade do espaço entre o pranto e o riso ... saudade do riso da infância e da festa da inocência ... saudade da inocência e da ausência de sofrimento. Saudade do amanhecer de ontem e saudade da noite anterior.

De grande e pequena saudade é feita a vida de cada um. E, porque não existe remédio, estende-se como epidemia, contaminando, indistintamente, homens e mulheres de todas as idades.

Saudade é fonte de inspiração, tema de livros, de cartas guardadas, de páginas amarelecidas.

Saudade é o que fica, é o que resta sedimentado, no cartório da vida; registros documentais do que foi, ontem e antes, comprovando os acontecimentos com firma reconhecida e autenticada.

E como a saudade é bonita, reflete no espelho da memória a beleza de tudo que a enfeita, nessas lembranças presentes do que se supõe ausente.

Saudade é artesã que tece tapetes coloridos e pinta arco-íris no céu interior de quem a conhece.

E a saudade já está comigo. A mesma saudade que motivou esta crônica ... Uma saudade que se renova, como um rapaz faceiro, alheio ao que passou, aguardando ansioso a véspera do acontecer para acrescentar mais jóias ao seu tesouro. Pois a saudade tem sempre saudade de tudo que é valioso.